
Falar em gestão do tempo é olhar para prioridades, limites, saúde e escolhas. Em um mundo do trabalho onde as demandas se multiplicam, gerenciar a rotina não significa “fazer mais”, mas fazer melhor, com consciência e propósito.
Essa perspectiva se conecta diretamente à NR-1, que exige que as empresas identifiquem e controlem perigos ocupacionais — incluindo fatores psicossociais como sobrecarga, jornadas prolongadas, pressão contínua e falta de clareza de prioridades.
Todos esses elementos se agravam quando não há uma gestão do tempo bem estruturada.
O que é gestão do tempo, afinal?
Gestão do tempo é o conjunto de estratégias que nos ajudam a organizar tarefas,otimizar energia e distribuir esforços de forma inteligente.
Stephen Covey, autor do clássico Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, reforça que o fundamental não é priorizar sua agenda, mas agendar suas prioridades.
Isso muda tudo: desloca o foco da pressa para a intenção, do improviso para o planejamento. No dia a dia corporativo, isso significa equilibrar entregas de resultados e bem-estar.
Os impactos corporativos da má gestão do tempo
Se as horas são mal distribuídas, as consequências aparecem rápido — tanto para as pessoas quanto para o negócio:
- Times sobrecarregados e com alto risco de adoecimento.
- Aumento das horas extras e custo operacional.
- Falhas de comunicação e desalinhamento entre áreas.
- Diminuição da criatividade e da capacidade de inovação.
- Clima organizacional fragilizado e alta rotatividade.
- Percepção de falta de controle sobre a própria rotina
Em outras palavras: gestão do tempo não é um tema individual, mas organizacional.
Por onde começar? Confira 4 práticas fundamentais:
1. Planejamento semanal realista
Antes de começar a semana, determine: o que é essencial? O que tem prazo crítico? Onde você deve estar presente? O realismo é sua melhor ferramenta aqui — planejar mais do que cabe na agenda só reforça a frustração.
2. Blocos de foco (time blocking)
Separar períodos curtos e protegidos para concentração melhora o desempenho e reduz o estresse. Estudos mostram que o cérebro funciona melhor com foco profundo seguido de pausas estratégicas.
3. Definição clara de prioridades (importante x urgente)
Covey nos lembra ainda: “o que é urgente nem sempre é importante”. O mapa de quadrantes ajuda a entender onde estamos gastando energia — e onde deveríamos.
Funciona assim:
A matriz é dividida em quatro:
Quadrante 1 — Urgente e Importante
🔸 Crises, problemas imediatos, prazos críticos.
Ação: resolver rapidamente.
Se este quadrante está sempre cheio, há falhas de planejamento.
Quadrante 2 — Importante, mas Não Urgente
🔸 Planejamento, prevenção, desenvolvimento, melhorias de processo, saúde, construção de relacionamento.
Ação: priorizar na agenda.
Este é o quadrante da alta performance sustentável, onde o crescimento real acontece.
Quadrante 3 — Urgente, mas Não Importante
🔸 Interrupções, demandas de última hora de pouca relevância, tarefas que poderiam ser delegadas.
Ação: reduzir, delegar ou negociar prazos.
É o quadrante que cria a sensação de “estar sempre correndo”.
Quadrante 4 — Não Urgente e Não Importante
🔸 Distrações, tarefas irrelevantes, navegação excessiva, atividades que não agregam ao objetivo.
Ação: eliminar ou limitar.
É onde o tempo se perde sem perceber.
4. Limites e micro acordos com o time
Combinados claros evitam mal-entendidos e reduzem retrabalho. Conversas objetivas sobre capacidade, prazos e expectativas são essenciais para equipes sustentáveis.
Como o RH pode atuar de forma estratégica
O RH tem papel crítico na criação de ambientes que favorecem uma gestão do tempo mais saudável e inteligente. Isso envolve:
Educação e treinamento contínuo
Workshops, mentorias e trilhas focadas em organização, priorização, comunicação e tomada de decisão.
Políticas claras e realistas de jornada
Monitorar horas extras, reorganizar processos e garantir que a cultura não romantize a sobrecarga.
Promover ambientes psicologicamente seguros
Como diria Amy Edmondson, segurança psicológica permite que as pessoas digam “não”, peçam ajuda ou renegociem prazos — elementos essenciais para evitar burnout.
Ferramentas e rituais de gestão
Reuniões de alinhamento curtas, check-ins semanais, clareza de papéis e metas factíveis.
Tempo não se controla — se decide
No fim, gestão do tempo é a gestão de escolhas. É entender o impacto de cada sim e de cada não. É proteger a saúde física e mental, garantir ritmo sustentável de trabalho e fortalecer equipes.
O que fazemos diariamente, não ocasionalmente, é o que define quem nos tornamos. E isso vale para empresas também.
Se a sua empresa quer times mais saudáveis, criativos e eficientes, é preciso cuidar do tempo — da liderança e dos outros.
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